Arquivado em: contos e cronicas
Hoje é dia de sereia. Pegou seu i-pod, colocou seu biquíni, e na sua bicicleta andou em pé de vento até a praia. Posto 12, 11, 10, 9, arpoador. Parou, olhou. O mar… o mar estava lisinho e era segunda feira, quase meio-dia. Dia de estar na praia? Sim, ela era sereia e foi neste instante que percebeu que já estava na areia, apoiando sua bicicleta, tirando toda sua roupa e deixando seu i-pod tocar qualquer música sozinho. Você dá uma olhadinha para mim? Ele deu uma olhada para ela. Repentinamente surge assim uma sereia com olhos secos de mar, salivando água salgada pedindo para aquele rapaz sentado numa cadeira de praia listradinha, havainana com bandeira do Brasil nos pés, debaixo de um calor ensurdecedor, que lia gestalt-terapia. Sim só podia ser dia de sereia. Ela foi para o mar agradecendo ao moço por cuidar de suas coisas. O mar verde claro, céu de anil. O mar clamo, sabor de balas soft, mar doce e cristalino em Ipanema, cabelos de Iemanjá que estava ali presente inteiriça. E sereia foi nadando, nadando, iria para longe se não tivesse se lembrado de voltar. Se lembrado de que ser sereia é por pouco. Viu então na areia o rapaz que de fato dava uma olhada nas coisas dela. Pensou: eu aqui me esbaldando de mar e ele lá parado cuidando de coisas de alguém que ele nem sabe quem é. Que mania carioca… Voltou do mar e agradeceu e sorriu e agradeceu mais uma vez. Seus olhos agora estavam cheios de água salgada, lágrimas, seus cabelos com pequenos brilhos de escama que só dava para ver de um determinado ponto que o sol refletia. Nem ele percebeu que suas mãos ganharam movimento leve de nadadeiras e que seus seios estavam nus, e cintura para baixo uma calda linda, azul prateada. Ninguém percebeu. Só ela. É bom aproveitar esses dias de Caribe? Ele tentou puxar assunto. É, ela respondeu. Principalmente dia de semana que a praia não está cheia… É não está cheia… Tchau. Obrigada. Obrigada. Ela só conseguia dizer mesmo era obrigada. Obrigada pelo dia de Sereia.
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Belo texto. Bem escrita e com bom humor. Porque, apesar de toda a modernidade, os melhores dias ainda são mesmo vividos em meio à natureza. Gostei do seu blog. Vou fazer um link, para não perder de vista. Quando puder, venha também conhecer nosso espaço. Grande abraço!
Comentário de Rita Costa & André L. Soares Agosto 1, 2007 @ 10:43 pm