Arquivado em: contos e cronicas, escritos, feminina, literatura, textos | Etiquetas: clarice lispector, endendimento, movimento raro, so lua, yin yang, paloma rosa
Desentendi a palavra entender. Fui dormir com ela. Acordei pensando nela. É uma palavra meio gerúndio e nos acostumamos a considerá-la estática. Entendemos. Então está pronto. Mas não! Pensei sobre isso, que entender é em processo. É nunca chegar a uma conclusão. Enigmas são charadas para serem respondidas com ingenuidade e intuição. Não com raciocínio elaborado. Assim fez Édipo com sua própria esfinge. E seu entendimento com sua trajetória continuou em movimento. Foi cego, caminhando em busca se si. Será o fim? A cegueira traz lucidez pra quem procura ver. Quem não procura vê luxuosamente o mundo, mas não o vê por dentro. Não vê o mundo por dentro. Não vê o seu mundo e o outro, que também se é através do outro. Ou só se é através do outro. Procurei em outros escritos sobre a palavra entendimento, e Clarice Lispector sempre a falar desses absurdos. Desentendi essa palavra entendimento e me senti Clarice. Completa, ou melhor, em estado de completude. Completa é uma palavra quase impossível. Sempre falta algo, se não, não buscamos. Sempre haverá de faltar. Desentendimento – acabei de aprender, por agora, sobre a ele. Resolvi pensar sem muito propósito. E me disse que é simplesmente aquilo o que não se entende. Explosão. Quando se desentende se suspende do fácil. É aceitar sobre o branco e o preto. O complemento, ou até mesmo o contra-senso. Às vezes o yin se completa com o yang, conseguem a tal convivência… E aí se torna belo o movimento. Movimento Raro. Raro é o encontro da lua com o sol, apesar de estarem sempre um a alimentar o outro a longas distâncias. Nem sempre o distinto precisa dialogar, aceitar o que é seu oposto. Se assim for, se assim ceder, passa a ser o aquilo de lá, e aí acaba-se o contrário, a contradição. O preto e o branco. O sol e a lua. Normalmente quero o eclipse. Mas conseguir e saborear o simples é o possível e é o que nos recompensará.
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Excelente o seu texto. Uma ode contra o simplismo. Porque, de fato, nada é fácil de entender e, por conta da dinâmica de tudo, aquilo que às vezes pensamos entender, sequer passamos perto da verdade.
Comentário de Andre L. Soares Dezembro 12, 2007 @ 1:11 pm